Informações Gerais

         Os depósitos abordados a seguir foram caracterizados não somente por sua geografia local, mas também foram levados em conta para uma análise mais abrangente, características geológicas e geomorfológicas que auxiliam na compreensão da evolução dos depósitos bauxíticos regional .
         Um dos fatores que diferencia os espectros dos depósitos entre si é a composição da amostra e a quantidade relativa do elemento que está presente. Por isto, antes da análise espectral, cabe aqui um paralelo da composição de amostras de bauxita (em porcentagem de massa) coletadas em Poços - MG, Barro Alto - GO, Paragominas - PA e Itamaratí - MG que foram estudadas por pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral - CETEM, (tabela abaixo).

Composição química das bauxitas dos depósitos estudados

         Analisando os dados da tabela, verifica-se que os três principais constituintes dos depósitos estudados são os óxidos de alumínio, de ferro e a sílica. Nota-se que a bauxita de Barro Alto - GO é a que possui a maior proporção relativa de óxido de alumínio, enquanto que em Itamarati - MG há mais ferro na composição do depósito e em Poços de Caldas - MG a bauxita contém mais sílica se comparada às demais.
         Com a análise espectral a seguir, poderemos dar continuidade à verificação das diferenças de composição que as bauxitas estudadas possuem, através do estudo das assinaturas espectrais (enquanto que os dados da tabela acima foram obtidos por difração de raio X - DRX).
         O espectro utilizado a seguir (de Poços de Caldas) é um bom representante de um típico espectro de bauxita brasileira e por isto será utilizado para uma caracterização das feições que são comuns às bauxitas brasileiras.

Curva de reflectancia espectral (assinatura espectral) caracterísitica do depósito de bauxita de Poços de Caldas.

Análise das feições:

0,47 µm: a presença de ferro na composição da amostra produz uma suave queda da refletividade na região azul do visível.
0,68 e 0,89 µm: para o íon férrico (Fe3+), ocorrem transições do estado estacionário que produzem bandas de absorção em aproximadamente 0,44 µm, 0,70 µm e 0,88 µm.
1,44 e 1,93 µm: nestas duas regiões encontram-se fortes bandas de absorção devido à presença de água.
2,27 µm: a reflectância do mineral gibbsita - Al(OH)3 - mostra a mais notável banda vibracional da ligação Al-OH próximo a 2,27 micrômetros.
           Feita uma descrição geral do espectro da bauxita, o próximo passo é tentar identificar as singularidades de cada depósito.

      O espectro comparativo abaixo dos quatro depósitos estudados são constituidos principalmente por gibbsita (devido a banda de absorção em 2,27 µm). Contudo, na medida em que são observados os componentes secundários das bauxitas, as diferenças das amostras são mais evidentes.

Assinatura espectral dos depósitos de bauxitas investigados nesse estudo.

        Para a análise das assinaturas relatadas anteriormente foi utilizado um equipamento portátil (FieldSpec 3 Hi-Res) relativamente pequeno, posteriormente à descoberta e análise dos depósitos como um todo. Essa identificação mais ampla pode ser feita por sensores que possuam certa quantidade de bandas, suficientes para a caracterização do que está em superfície. Pensando nisto, o ASTER pode ser utilizado como instrumento de detecção de depósitos de bauxita: ele é um dos cinco dispositivos de sensoriamento remoto a bordo do satélite Terra (EOS SER-2). As feições mais importantes estão marcadas no espectro abaixo (figura abaixo): em 2,27 µm, onde a reflectância do mineral gibbsita mostra a mais notável banda vibracional da ligação Al-OH e na faixa de 0,80 a 0,90 µm onde há presença de típicas feições devido ao Fe, explicadas pela participação de hematita ou goethita na composição das amostras.

Espectros dos depósitos de bauxita obtidos pelo dispositivo ASTER.