Natureza e Impacto de Parcerias Norte-Sul na Produção e Utilização de Conhecimento em Bioprospeção

Parcerias

É sabido que os centros mais dinâmicos da atividade biotecnológica e as principais indústrias das áreas de fármacos, de cosméticos e as agroquímicas encontram-se, fundamentalmente, no hemisfério norte, nas sociedades de capitalismo avançado. Por outro lado, e numa curiosa contraposição espacial do outro espectro de interesses na bioprospecção, as principais reservas de biodiversidade estão, em larga medida, concentradas no hemisfério sul, em diferentes sociedades, em geral situadas nos estágios menos avançados do desenvolvimento capitalista. Assim, na perspectiva da bioprospecção, tem-se, o rico norte, do ponto de vista econômico e da moderna “tecnociência”, versus o rico sul, do ponto de vista da biodiversidade.

Mesmo sendo mais limitada em termos de sua natureza e atores sociais envolvidos, as parcerias de pesquisa Norte-Sul (N-S) são um empreendimento de dimensões globais consideráveis. O quadro que se tem, quando o objetivo é avaliar os resultados e impactos dessas colaborações, não é muito claro. Apesar dos problemas de assimetria no tocante à propriedade do projeto e à divisão dos resultados dele advindos, alguns autores afirmam que as colaborações Norte-Sul têm contribuído de maneira significativa para a formação e fortalecimento da capacidade de pesquisa no Sul. Entretanto, os analistas também concordam que essas colaborações têm tido um impacto muito limitado sobre o desenvolvimento sustentado. Isto não deixa de ser uma preocupação porque ainda prevalece a suposição de que as parcerias N-S são necessárias se os países em desenvolvimento querem se tornar uma sociedade baseada no conhecimento, de forma a ter um lugar de destaque na nova ordem mundial.

Nessa linha, várias conferências tem sido organizadas recentemente para explorar porque uma suposta melhor capacidade de pesquisa ainda não rendeu os resultados esperados em termos de desenvolvimento. Talvez, a conclusão mais relevante a que se chegou seja o reconhecimento de ligações muito frágeis entre as iniciativas de colaboração em pesquisa e as necessidades e demandas das partes interessadas locais. Mas deve ser dito que tais estudos são localizados, descritivos, sem uma estrutura analítica e metodológica bem definida que permita algum tipo de generalização. A tendência dos estudos avaliativos até agora tem sido analisar as parceria à luz dos objetivos internos das mesmas, e apontar as razões para o sucesso ou falha de cada uma individualmente. Essas avaliações consistem de uma narrativa e observações ad hoc , e são baseadas principalmente em dados secundários, reflexões pessoais e/ou evidências anedóticas. Conseqüentemente, acaba sendo muito limitado o que esses estudos oferecem em termos de opções e desenho de políticas futuras.

Por isso mesmo a relevância do projeto PARBIO, que prevê o estudo da colaboração N-S em pesquisa, especialmente no que tange suas ligações com as sociedades locais (do Sul) e seus impactos.

 
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