Histórico

Aprovado pela CAPES em maio de 2002 com a nota “4”, o Programa de Pós-Graduação em Geografia da UNICAMP iniciou suas atividades já com os níveis de Mestrado e Doutorado. Assumir essa dupla atribuição, evento raro em nossa comunidade acadêmica, nos trouxe a responsabilidade de manter o mérito acadêmico sempre em ascensão e conciliar o aprendizado sobre a institucionalização do Programa e nossa produção científica enquanto um projeto coletivo com nossas produções individuais. Hoje, já consolidado, o Programa oferece duas linhas de pesquisa abrangentes e coerentes com os anseios atuais do pensamento geográfico brasileiro, propondo abordagens sócio-espaciais que integram paradigmas humanistas, tecnológicos e físico-geográficos ou ambientais, a saber: Dinâmica Territorial: Sistemas Técnicos Atuais e Novas Práticas Sócio-espaciais e Sistemas de Informação Geográfica, Análise dos Componentes Naturais da Paisagem e das Transformações Decorrentes do Uso e Ocupação.
Na implantação do curso a produção do conhecimento geográfico encontrou no Instituto de Geociências da UNICAMP um lugar de grande potencial de desenvolvimento, especialmente porque o curso de Licenciatura e Bacharelado em Geografia havia há pouco sido criado, o que gerou a formação de um corpo docente altamente qualificado e uma demanda direta dos alunos que seriam aqui formados. Além disso a UNICAMP está inserida na Região Metropolitana de Campinas que apresenta um importante crescimento demográfico e vem se firmando como um importante polo tecnológico do país, região que demandava e demanda elevada produção de conhecimentos geográficos. Neste período, o curso de Pós-Graduação em Geografia se consolidou, passando já na sua segunda Avaliação para a nota 5, que mantém até hoje.
O quadro de alunos demonstra de modo crescente o bom desempenho do programa, acolhendo egressos do próprio curso de graduação da Universidade Estadual de Campinas e de outras universidades brasileiras, assim como geógrafos e profissionais de áreas correlatas da nossa região e de outros estados brasileiros e, ampliando-se nos últimos anos, também de outros países, como Cuba, México, Peru, Colômbia, Venezuela, Haiti e Moçambique. Este perfil tem correspondido à natureza da própria Unicamp que é dinâmica, inovadora e criativa em seu processo de desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão, reconhecido nacional e internacionalmente e que, no momento, desenvolve intenso programa para internacionalização da universidade, o que também reflete diretamente no Programa de Pós-Graduação em Geografia, com um número crescente de atividades e intercâmbios sendo realizados com instituições internacionais.
Desde o seu início, o Programa priorizou a capacitação de profissionais qualificados para a Pesquisa, para a Docência e para as novas demandas do mercado de trabalho, estimulando seus alunos a produzirem e divulgarem o conhecimento geográfico em diferentes eventos científicos, com a exposição dos métodos e metodologias aprendidas nas mais diversas abordagens, seja com enfoque nas áreas físicas, nas humanidades ou nas áreas tecnológicas. Desse modo, o Programa busca propiciar um amplo desenvolvimento científico e incentivar a formação e o conhecimento crítico da ciência geográfica no desenvolvimento de investigações robustas e pesquisas bem fundamentadas em métodos e paradigmas que orientem as análises socioespaciais, com o suporte das geotecnologias atuais.
O resultado deste trabalho já é visível na qualidade de inúmeras dissertações e teses produzidas no Programa, assim como pela participação de nossos alunos, com apresentação de trabalhos em eventos nacionais e internacionais, e a produção científica publicada em importantes periódicos nacionais e internacionais, além da já existente atuação dos egressos em destacadas funções na sociedade. As disciplinas oferecidas, assim como o perfil dos seus docentes e as atividades conjuntas de investigação, nucleadas pelos Grupos de Pesquisa e Laboratórios, usuários de uma excelente infraestrutura instalada, constantemente atualizada para dar suporte às novas abordagens e técnicas, sustentam este projeto. Da mesma forma, o rico intercâmbio com outras instituições de ensino e pesquisa, ou mesmo com os Núcleos de Pesquisa da própria universidade, tais como o Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM), o Núcleo de Estudos de População (NEPO), o Laboratório de Estudos Urbanos (LABEURB), o Centro de Memória (CMU) e o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE), entre vários outros reconhecidos por seus projetos e pesquisas, vem auxiliar no objetivo de fornecer as bases teóricas e metodológicas para os alunos em formação, em consonância ao perfil desejado para o egresso.
Com estes objetivos, o Programa já produziu, desde 2002, ano de sua implantação, até dezembro de 2015, 196 dissertações e 87 teses, totalizando 283 trabalhos concluídos (sendo que em 2015 foram 21 dissertações de Mestrado e 17 teses de doutorado), o que significa uma média anual superior a 21 dissertações e 16 teses defendidas ao ano, algumas delas reconhecidas por sua excelência por prêmios outorgados pela Capes e outras instituições. Vale destacar que estes números são crescentes, nos últimos anos. A inserção e a atuação dos egressos também fornecem uma indicação da evolução e da qualidade do Programa, sendo que este conta com vários ex-alunos já incorporados à vida profissional como docentes e pesquisadores de Universidades Federais, Estaduais, Fundações, Institutos e Faculdades Privadas, formando novos grupos de pesquisa; também como professores concursados da rede pública de ensino básico, ou trabalhando em órgãos governamentais tais como Prefeituras Municipais, órgãos governamentais, em ONGs, consultorias ou assessorias, empresas privadas, não somente no estado de São Paulo mas por todo o território nacional. Tendo por referência a Área de Concentração em Análise Ambiental e Dinâmica Territorial, o Programa possui, atualmente, 41 Projetos de Pesquisa a ele associados, sendo 25 na Linha de Pesquisa Dinâmica Territorial: Sistemas Técnicos Atuais e Novas Práticas Sócio-espaciais, e 16 na Linha de Pesquisa Sistemas de Informação Geográfica, Análise dos Componentes Naturais da Paisagem e das Transformações Decorrentes do Uso e Ocupação. Tais Projetos possuem financiamento da FAPESP, CNPq ou CAPES, assim como captam outros auxílios como os da FAEPEX/Unicamp. Esses Projetos representam Grupos de Pesquisa em sua maioria já consolidados e aglutinam pesquisadores, alunos de graduação e de pós-graduação na produção de trabalhos técnicos e acadêmicos que representam o Programa em Conferências, Simpósios, Congressos, publicações em periódicos, em coletâneas de livros, em livros, entre outras produções divulgadas no âmbito local, regional, nacional e internacional.
Neste sentido, deve-se ainda destacar a atuação dos docentes do Programa em Grupos de Pesquisa do CNPq, como líderes ou pesquisadores, nos quais a presença dos pós-graduandos possui uma representação considerável. Todos os docentes estão vinculados ao Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, como líderes ou pesquisadores, em grupos registrados na UNICAMP ou outras universidades.
Sobre o Corpo Docente do Programa, formado por 24 doutores, em sua totalidade, este possui 19 docentes que integram o Corpo Permanente, dos quais 15 mantêm vínculo com a Unicamp em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), 1 em Regime Celetista como Pesquisadora, 2 são professoras aposentadas da Unicamp, ligados ao Programa de Pós-Graduação, e 1 é professor da Unesp-Campus Ourinhos em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP). Do total de docentes, 3 são Professores Titulares, 3 são Livres-Docentes e 3 são Pós-Doutorados. Entre os 5 professores Colaboradores, 4 estão associados ao Programa apenas para orientação, e um docente mantém atividades de orientação, docência e pesquisa. Do quadro de Docentes Permanentes 90% são geógrafos, havendo 2 professores que possuem outra formação, no caso um geólogo que atua na área de geotecnologias e um meteorologista que atua na área de climatologia. O quadro docente é estável e não apresenta mudanças significativas após sua consolidação nos últimos anos. Ressalte-se que o Programa conta com 15 professores bolsistas de produtividade do CNPq. Destaca-se que o corpo docente da Unicamp é avaliado periodicamente pelos órgãos competentes da Instituição (Conselho Departamental, Congregação do Instituto, Comissão de Especialistas e Comissão de Avaliação e Desenvolvimento Institucional – CADI) em instâncias superiores quanto às atividades de docência, pesquisa, extensão e atividades administrativas, mediante a avaliação de Relatórios Trienais (doutores), Quadrienais (livre-docentes) ou Quinquenais (titulares) de Atividades. Na ocasião, a Comissão de Pós-Graduação avalia a atuação do docente no Programa emitindo parecer circunstanciado.
Desde agosto de 2015 se encontra em andamento um Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Geografia, Modalidade DINTER entre a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Estadual da Bahia – UNEB que está sendo oferecido no Campus de Santo Antônio de Jesus, com 08 alunos matriculados, para o qual já foram oferecidas duas disciplinas concentradas até o final de 2015.
Este Programa dá continuidade às ações de qualificação de docentes que fortalecem o sistema nacional de pós-graduação, importante indicador de solidariedade, e que se iniciou em 2009 com o convênio entre a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC (BA), para um Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Geografia, Modalidade MINTER concluído em 2013, com realização de dez (10) defesas de mestrado e avaliação final positiva.
Quanto ao tempo médio de titulação dos alunos do Programa, verifica-se em 2015 ele foi de 28 meses para o Mestrado e 47 meses para o doutorado.