Brasil:
500 Anos
As armas e os Barões assinalados
Que, da Ocidental
praia Lusitana,
Por mares nunca dantes
navegados
Passaram ainda além
da Taprobana,
Em perigos e guerras
esforçados,
Mais do que prometia
a força humana,
E entre gente remota
edificaram
Novo reino, que tanto
sublimaram
Camões
A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos
e esta gente?
Que perigos, que mortes
lhe destinas,
Debaixo dalgum nome
preminente?
Que promessas de reinos
e de minas
De ouro, que lhe farás
tão facilmente?
Que famas lhe prometerás?
Que histórias?
Que triunfos? Que
palmas? Que vitórias?
Idem
A maneira de nuvens começam
A descobrir os montes
que enxergamos;
As âncoras pesadas
se adereçam;
As velas, já
chegados, amainamos.
E, para que mais certas
se conheçam
As partes tão
remotas onde estamos,
Pelo novo instrumento
do astrolábio,
Invenção
de sutil juízo e sábio
Idem
Estamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num
abraço insano
Azuis, dourados, plácidos,
sublimes...
Qual dos dois é
o céu? Qual o oceano?
Castro Alves
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam
como lá
Gonçalves Dias
E agora, José?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou
E agora, José?
E agora, você?
Drummond
Quem acha vive se perdendo
Noel Rosa
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar
com a minha dor
Nelson Cavaquinho
Queixo-me às rosas
Mas que bobagem
As rosas não
falam
Simplesmente as rosas
exalam
O perfume que roubam
de ti
Cartola
Tupy or not tupy, that is the question.
Oswald de Andrade
No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma,
herói de nossa
gente. Era preto retinto e filho do
medo da noite.
Mário de Andrade
- Venha e me faça um filho, Janu.
-
Sou bom nisso como quê!
Jorge Amado