{"id":4550,"date":"2021-08-06T02:33:51","date_gmt":"2021-08-06T05:33:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/?p=4550"},"modified":"2021-08-06T02:33:52","modified_gmt":"2021-08-06T05:33:52","slug":"estudo-avalia-impacto-do-ecossistema-universitario-na-intencao-empreendedora-dos-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/2021\/08\/06\/estudo-avalia-impacto-do-ecossistema-universitario-na-intencao-empreendedora-dos-alunos\/","title":{"rendered":"Estudo avalia impacto do ecossistema universit\u00e1rio na inten\u00e7\u00e3o empreendedora dos alunos"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"874\" height=\"620\" src=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/imageonline-co-roundcorner.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4551\" srcset=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/imageonline-co-roundcorner.png 874w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/imageonline-co-roundcorner-300x213.png 300w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/imageonline-co-roundcorner-768x545.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 874px) 100vw, 874px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Autor:<\/strong> Guilherme Cavalcante Silva (InSySPo) \/ <strong>Para a vers\u00e3o em ingl\u00eas, clique <a href=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/2021\/08\/06\/study-investigates-impact-of-university-ecosystems-on-students-entrepreneurial-intention\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/2021\/08\/06\/study-investigates-impact-of-university-ecosystems-on-students-entrepreneurial-intention\/\">aqui<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Passaram-se anos, veio uma pandemia, mas uma coisa n\u00e3o mudou no Brasil: o anseio por empreender. Embora o n\u00famero de empreendedores estabelecidos no pa\u00eds tenha ca\u00eddo pela metade no pa\u00eds em 2020 (de 16,1%, em 2019, para 8,7% em 2020), o \u00edndice de atividades empreendedoras em fase inicial at\u00e9 mesmo aumentou (ligeiramente), subindo de 23,3% para 23,4%, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). As porcentagens se referem \u00e0 quantidade da popula\u00e7\u00e3o nacional registrada como empreendedores em fase inicial ou estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Quando a inten\u00e7\u00e3o de empreender entra em quest\u00e3o, os dados s\u00e3o ainda mais enf\u00e1ticos. Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira (52,7%) tem inten\u00e7\u00e3o de come\u00e7ar um neg\u00f3cio pr\u00f3prio em at\u00e9 tr\u00eas anos, \u00edndice que estava em 30% em 2019 \u2013 Brasil \u00e9 um dos l\u00edderes globais neste ranking. \u00a0A pergunta que paira no ar ante esse cen\u00e1rio \u00e9: como aproveitar esses n\u00fameros e favorecer ainda mais o empreendedorismo no pa\u00eds? A resposta n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e envolve n\u00e3o apenas a\u00e7\u00f5es das esferas governamentais, como tamb\u00e9m de outras \u00e1reas. Uma delas \u00e9 a universidade, um dos principais elementos do ecossistema de empreendedorismo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"951\" height=\"615\" src=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/chartworld-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4552\" srcset=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/chartworld-1.png 951w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/chartworld-1-300x194.png 300w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/chartworld-1-768x497.png 768w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/chartworld-1-570x370.png 570w\" sizes=\"auto, (max-width: 951px) 100vw, 951px\" \/><figcaption>Brasil \u00e9 um dos l\u00edderes em inten\u00e7\u00e3o empreendedora no mundo. Na imagem, em preto, pa\u00edses sem dados. De amarelo at\u00e9 vermelho, em suas distintas grada\u00e7\u00f5es, os pa\u00edses com menor e maior \u00edndice de inten\u00e7\u00e3o empreendedora, respectivamente.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Motivado por esse tema, <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Matheus-Leite-Campos\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Matheus-Leite-Campos\">Matheus Campos<\/a>, pesquisador de p\u00f3s-doutorado no programa Innovation Systems, Strategies and Policy (InSySPo), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), fez da rela\u00e7\u00e3o entre o ambiente da universidade e o desenvolvimento de caracter\u00edsticas empreendedoras o assunto de sua pesquisa doutoral. Recentemente, ele publicou um artigo, em co-autoria com os pesquisadores <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Gustavo-Herminio-Moraes\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Gustavo-Herminio-Moraes\">Gustavo Salati<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Ana-Carolina-Spatti\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Ana-Carolina-Spatti\">Ana Carolina Spatti<\/a>, ambos tamb\u00e9m da Unicamp, na Brazilian Administration Review, apresentando os resultados de um modelo avaliativo que utilizou para compreender os diferentes modos em que o ambiente universit\u00e1rio no Brasil impacta o desenvolvimento de caracter\u00edsticas empresariais nos alunos, e, consequentemente, o pr\u00f3prio modo em que universidade e empreendedorismo interagem. O artigo \u00e9 intitulado &#8220;<a href=\"https:\/\/bar.anpad.org.br\/index.php\/bar\/article\/view\/518\/442\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/bar.anpad.org.br\/index.php\/bar\/article\/view\/518\/442\">Do University Ecosystems Impact Student\u2019s Entrepreneurial Behavior?<\/a>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">No artigo, os autores criaram um modelo conceitual de an\u00e1lise e extra\u00edram dados de sete universidades p\u00fablicas brasileiras (UEA, UFCG, UnB, Unicamp, USP, UTFPR, UFRGS), localizadas nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds. Os resultados demonstraram o que, de modo geral, os estudos na \u00e1rea j\u00e1 sabiam: as universidades possuem uma influ\u00eancia no desenvolvimento de inten\u00e7\u00e3o empreendedora (inten\u00e7\u00e3o de abrir um neg\u00f3cio) por parte dos alunos. Por\u00e9m, o escopo de tal influ\u00eancia \u00e9 bem menor do que se pensava. \u201cO que nosso estudo demonstrou \u00e9 que o papel mais importante da universidade, em rela\u00e7\u00e3o ao empreendedorismo, n\u00e3o \u00e9 o incentivo para que o aluno abra uma empresa, mas a <strong>sua atua\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de caracter\u00edsticas voltadas ao empreendedorismo<\/strong>\u201d, sublinha Campos. Em outros termos, treinamentos motivacionais, cursos e uma atua\u00e7\u00e3o voltada para que o estudante abra empresas no futuro, embora importantes, s\u00e3o menos eficazes do que o preparo voltado para caracter\u00edsticas empreendedoras, como reconhecimento de oportunidades, perseveran\u00e7a e habilidade de pensar em solu\u00e7\u00f5es inovadoras. Afinal, um dos achados do estudo foi de que, nas universidades pesquisadas, <strong>a inten\u00e7\u00e3o empreendedora est\u00e1 muito mais relacionada com as caracter\u00edsticas pessoais dos pr\u00f3prios estudantes do que com a\u00e7\u00f5es da universidade nesse sentido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">O estudo se soma a outras pesquisas da \u00e1rea conhecida como \u201cecossistema do empreendedorismo\u201d, que avalia a atividade empreendedora em sua conex\u00e3o com diferentes fatores sociais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos e educacionais, fatores estes que ultrapassam as \u201cquatro\u201d paredes das empresas e seus recursos financeiros e materiais. \u201cMesmo algo como a inten\u00e7\u00e3o de empreender, por parte dos alunos, est\u00e1 direcionada a fatores t\u00e3o distintos quanto a sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, isto \u00e9, se este aluno est\u00e1 na regi\u00e3o Norte\/Nordeste ou Sul\/Sudeste do pa\u00eds, como nosso estudo demonstrou\u201d, aponta Spatti. \u201cEm um o maior n\u00edvel de capacita\u00e7\u00e3o vai estar consequentemente ligado a um maior est\u00edmulo para empreender, em outro, com o mesmo n\u00edvel de capacita\u00e7\u00e3o, o est\u00edmulo pode n\u00e3o vir por diversos fatores, como maior competitividade, por exemplo\u201d, acrescenta Salati. Al\u00e9m do aspecto geogr\u00e1fico, a disponibilidade de capital humano, financiamento, pol\u00edticas p\u00fablicas, acessibilidade de mercado, cultural local e presen\u00e7a das universidades s\u00e3o alguns dos outros pilares do ecossistema de empreendedorismo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"217\" src=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4547\" srcset=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/image-1.png 602w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/image-1-300x108.png 300w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/insyspo\/wp-content\/uploads\/sites\/51\/2021\/08\/image-1-600x217.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><figcaption>Alguns dos fatores que fazem parte do ecossistema universit\u00e1rio de empreendedorismo. Adaptado de Rothaermel, F. T., Agung, S. D., &amp; Jiang, L. (2007). University entrepreneurship: A taxonomy of the literature. Industrial and Corporate Change, 16(4), 691\u2013791. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/icc\/dtm023\">https:\/\/doi.org\/10.1093\/icc\/dtm023<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Em rela\u00e7\u00e3o ao contexto mais espec\u00edfico das universidades, diversos fatores influenciam na decis\u00e3o dos alunos de empreender. Os resultados do artigo, relacionados \u00e0s universidades brasileiras, demonstraram que um dos principais \u00e9 o desenvolvimento de caracter\u00edsticas empreendedoras, que impactam diretamente a mentalidade empreendedora dos estudantes. Por outro lado, fatores como suporte \u00e0 abertura de neg\u00f3cios constitu\u00edram pesos negativos na amostra. \u201cEm rankings globais de inten\u00e7\u00e3o empreendedora, estamos [Brasil] sempre no topo. Mas, ao mesmo tempo, paradoxalmente, ainda h\u00e1 uma certa dificuldade cultural no pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a empreender e a ter uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima entre empresas e universidades\u201d, reflete Salati. \u201cO que as pesquisas t\u00eam mostrado \u00e9 que se a orienta\u00e7\u00e3o da universidade for para o preparo para o mercado de trabalho, o estudante seguir\u00e1 esse rumo. Por outro lado, se l\u00e1 ele tiver contato com abertura de empresas, patenteamento, a tend\u00eancia \u00e9 que siga esse caminho\u201d, conclui Campos. Embora universidades como USP e Unicamp se destaquem na rela\u00e7\u00e3o universidade-ind\u00fastria em termos de investimento e patenteamento, o cen\u00e1rio brasileiro, no geral, ainda \u00e9 de pouco investimento em P&amp;D (cerca de 1% do PIB, porcentagem bastante superior em pa\u00edses desenvolvidos) e pouca participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">A pesquisa \u00e9 um indicativo de que uma atividade empreendedora mais intensa no contexto das universidades brasileiras pode n\u00e3o vir de um frenesi sobre empreendedorismo no contexto da sala de aula ou da mera reprodu\u00e7\u00e3o de modelos \u201ccertificados\u201d por institui\u00e7\u00f5es norte-americanas ou europeias. \u201cOs nossos achados apontam que as universidades brasileiras s\u00e3o muito boas na quest\u00e3o do ensino e oferecimento de aulas, palestras, cursos e workshops sobre empreendedorismo, mas faltam mecanismos de suporte para auxiliar o estudante a efetivamente abrir uma firma. Tudo isso est\u00e1 relacionado a uma cultura mais ampla, tanto dentro como fora da universidade, em rela\u00e7\u00e3o ao empreendedorismo que amplia um <em>gap<\/em> entre ensino e empresas\u201d, reflete Campos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">O artigo completo se encontra dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/bar.anpad.org.br\/index.php\/bar\/article\/view\/518\/442\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/bar.anpad.org.br\/index.php\/bar\/article\/view\/518\/442\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Guilherme Cavalcante Silva (InSySPo) \/ Para a vers\u00e3o em ingl\u00eas, clique aqui Passaram-se anos, veio uma pandemia, mas uma coisa n\u00e3o mudou no Brasil: o anseio por empreender. 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