O mapa digital de alta resolução publicado praticamente duplica a extensão conhecida da antiga rede viária, demonstrando que o Império Romano era muito bem conectado e administrado, em grande parte graças às estradas modernas e bem cuidadas. Juntamente o estudo, foi disponibilizada uma plataforma online que foi chamada de o “Google Maps para estradas romanas”.
Um novo conjunto de dados digitais e um mapa de alta resolução das antigas vias do Império Romano, denominado Itiner-e, foram apresentados em um estudo publicado na revista Scientific Data. A pesquisa amplia em mais de 100 mil quilômetros a extensão conhecida da rede de estradas que sustentou um dos maiores impérios da antiguidade.
O conjunto de dados foi publicado na Scientific Data em 6 de novembro, juntamente com uma plataforma online chamada Itiner-e , que o coautor do estudo, Tom Brughmans, chama de “Google Maps para estradas romanas”1 . A plataforma pode ser acessada pelo link abaixo:
De acordo com os autores Tom Brughmans, Pau de Soto, Adam Pažout e colaboradores, o Itiner-e foi desenvolvido com base em registros arqueológicos e históricos, mapas topográficos e imagens de satélite. O resultado é o levantamento mais completo já feito das rotas romanas, abrangendo 299 mil quilômetros de estradas e cobrindo quase 4 milhões de quilômetros quadrados — uma área que se estendia das Ilhas Britânicas até a Síria, passando pelo norte da África e pela Europa continental.

As novas descobertas mostram uma expansão significativa em regiões como a Península Ibérica, a Grécia e o norte da África, além da correção de rotas antigas para refletir melhor o relevo real. Diferentemente dos mapas anteriores, o novo modelo considera caminhos sinuosos em áreas montanhosas, oferecendo uma visão mais realista da engenharia e da logística romana.
O banco de dados representa mais um passo para a compreensão dos movimentos de pessoas e doenças há milhares de anos — por exemplo, estudando a disseminação de pandemias como a Peste Antonina e se os governos foram bem-sucedidos em conter seus efeitos. “As estradas estruturaram a forma como [as pandemias] se desenrolaram e quais impactos tiveram”, afirma Brughmans.
No entanto, os autores reconhecem que seu mapa não mostra atualmente o crescimento e as mudanças nas estradas romanas desde 150 d.C. , nem o grau em que os romanos construíram e reutilizaram estradas já existentes. Os autores afirmam que criar uma reconstrução baseada em evidências de como os sistemas rodoviários mudaram ao longo do período romano ainda não é possível sem registros cronológicos da criação e das alterações nas estradas.
Publicação:
Nature 647 , 568-569 (2025)
doi: https://doi.org/10.1038/d41586-025-03626-z
Referências:
1de Soto, P. et al. Sci. Data 12, 1731 (2025).
Fonte:
Texto e imagens: Revista Forum e Nature.