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Placas tectônicas: como o movimento da Terra provoca terremotos e transforma cidades

Sob continentes e oceanos, enormes blocos rochosos conhecidos como placas tectônicas deslocam-se lentamente sobre o manto terrestre, acumulando tensões que, quando liberadas, provocam terremotos, vulcões e dão origem a cadeias de montanhas. Embora esses movimentos ocorram apenas alguns centímetros por ano, seus efeitos moldam a paisagem do planeta há milhões de anos e influenciam até mesmo a forma como cidades são construídas em regiões sujeitas à atividade sísmica.


Embora pareça estável, a superfície da Terra está longe de ser imóvel. A camada mais externa do planeta é fragmentada em grandes blocos rochosos chamados placas tectônicas, que flutuam sobre o manto, uma camada mais quente e parcialmente fluida localizada abaixo da crosta terrestre.

Essas placas se movimentam lentamente, a uma velocidade semelhante ao crescimento das unhas humanas, de poucos centímetros por ano. Apesar da lentidão, esse deslocamento contínuo é responsável por transformações que ocorrem ao longo de milhões de anos, como a separação dos continentes, a formação de oceanos, cordilheiras e vulcões. Foi justamente esse processo que fragmentou o antigo supercontinente Pangeia, originando a distribuição atual dos continentes.

Os principais fenômenos geológicos acontecem nos limites entre as placas tectônicas, regiões onde elas entram em contato. Existem três tipos principais de interação.

Imagem do perfil do Instagram: geografia.online

Nos limites divergentes, as placas se afastam uma da outra. O espaço criado permite a ascensão do magma proveniente do manto, que se solidifica e forma nova crosta terrestre. Esse processo ocorre principalmente nas dorsais oceânicas, como a Dorsal Mesoatlântica.

Nos limites convergentes, duas placas se aproximam. Dependendo de sua composição, uma pode mergulhar sob a outra, processo chamado subducção, ou ambas podem colidir frontalmente. Esses movimentos originam fossas oceânicas, cadeias montanhosas e intensa atividade vulcânica. A Cordilheira dos Andes, por exemplo, surgiu a partir da subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana.

Já nos limites transformantes, as placas deslizam lateralmente uma em relação à outra. Como o atrito impede que esse movimento ocorra de forma contínua, grandes quantidades de energia ficam acumuladas até serem liberadas repentinamente, provocando terremotos. Um dos exemplos mais conhecidos desse tipo de limite é a Falha de San Andreas, na Califórnia.

São nestes contextos que ocorrem os terremotos.

Vídeo do perfil do Instagram: owo14351

Enquanto as placas tentam continuar seu movimento natural, elas podem permanecer presas devido ao atrito entre as rochas. Com o passar do tempo, a pressão aumenta até superar a resistência dessas rochas. Nesse momento ocorre uma ruptura ou deslizamento súbito, liberando energia na forma de ondas sísmicas que se propagam em todas as direções e fazem o solo tremer.

O ponto onde essa ruptura se inicia, no interior da Terra, recebe o nome de hipocentro (ou foco sísmico). Já o ponto localizado exatamente acima dele, na superfície, é chamado de epicentro, região onde normalmente os tremores são sentidos com maior intensidade.

Embora terremotos possam ocorrer em diferentes partes do planeta, eles se concentram principalmente nas bordas das placas tectônicas, onde há maior interação entre elas. Este é o principal motivo de não haver grandes terremotos no Brasil.

Ao contrário de países como Japão, Chile e Indonésia, o Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante dos principais limites entre placas. Por essa razão, o território brasileiro apresenta baixa atividade sísmica. Os tremores registrados no país geralmente possuem baixa magnitude e estão associados a falhas geológicas antigas presentes no interior da placa, não ao choque direto entre placas tectônicas. Da mesma forma, o Brasil também não possui vulcões ativos.

Imagem do perfil do Instagram: curioso mundo nosso

O caso do Japão

Se o Brasil convive com poucos terremotos, o Japão enfrenta uma realidade completamente diferente. Localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, o arquipélago encontra-se em uma das regiões tectonicamente mais ativas do planeta. A interação entre as placas: do pacífico; euroasiática; filipina; e norte-americana, faz com que o país registre cerca de 1.500 terremotos por ano, incluindo alguns dos mais intensos já observados.

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Essa condição levou o país a investir continuamente em normas de construção e tecnologias capazes de reduzir os impactos dos tremores.

Entre as principais soluções está o isolamento sísmico, conhecido no Japão como Menshin. Nesse sistema, a estrutura do edifício é desacoplada do solo por meio de apoios especiais, compostos por rolamentos e amortecedores de borracha. Durante um terremoto, o terreno pode se mover enquanto o prédio oscila de forma controlada, reduzindo significativamente a transmissão das vibrações para a construção.

Gif retirado do site: e-housing.jp

Junto à técnica de isolamento sísmico Menshin, os edifícios japoneses incorporam outras tecnologias construtivas que auxiliam na redução de danos causados pelos recorrentes terremotos, através de reforço estrutural e formas de absorver a energia sísmica. Estas resoluções da arquitetura japonesa são chamadas de: Taishin e Seishin.

Gif retirado do site: e-housing.jp
Gif retirado do site: e-housing.jp

Essas soluções permitiram que arranha-céus, residências e edifícios históricos suportassem grandes terremotos com danos muito menores. Um exemplo é a Tokyo Skytree, torre de 634 metros que permaneceu estruturalmente íntegra durante o terremoto de Tohoku, em 2011, demonstrando a eficácia das tecnologias desenvolvidas pela engenharia japonesa.


Texto e imagens adaptados de:

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