{"id":1136,"date":"2023-04-26T11:26:50","date_gmt":"2023-04-26T14:26:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/?p=1136"},"modified":"2023-04-26T11:30:05","modified_gmt":"2023-04-26T14:30:05","slug":"america-latina-mais-que-um-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/america-latina-mais-que-um-nome\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina, mais que um nome!"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Academia Real Espanhola (RAE) define: LATINOAM\u00c9RICA. Nome que inclui todos os pa\u00edses do continente americano em que se falam l\u00ednguas derivadas do latim (espanhol, portugu\u00eas e franc\u00eas), por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica angl\u00f3fona. O nome Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m est\u00e1 correto. Para se referir exclusivamente aos pa\u00edses de l\u00edngua espanhola, \u00e9 mais correto utilizar o termo espec\u00edfico Hispanoam\u00e9rica. Ou, se o Brasil, um pa\u00eds de l\u00edngua portuguesa, estiver inclu\u00eddo, o termo Ibero-Am\u00e9rica. Deve ser sempre escrita como uma \u00fanica palavra, de modo que grafias como Am\u00e9rica Latina ou Latino-Am\u00e9rica n\u00e3o s\u00e3o corretas. O seu gent\u00edlico \u00e9 latino-americano.<\/p>\n<p>O que hoje conhecemos como Am\u00e9rica Latina nem sempre foi chamado assim. Nos tempos abor\u00edgenes, os povos origin\u00e1rios chamavam as terras que habitavam por diferentes nomes, embora pare\u00e7a que n\u00e3o tinham ideia do continente como uma unidade geogr\u00e1fica. Por exemplo, os Cuna, que viviam e ainda vivem na Terra Firme, nos atuais territ\u00f3rios do Panam\u00e1 e da Col\u00f4mbia, chamavam-lhe Abya Yala, ou seja, &#8220;terra em plena maturidade&#8221;.<\/p>\n<p>Durante a \u00e9poca colonial, o Imp\u00e9rio Hisp\u00e2nico nas Am\u00e9ricas ainda era chamado de \u00cdndias ou Novo Mundo. Tamb\u00e9m era frequentemente designado por Am\u00e9rica Espanhola, para o distinguir dos dom\u00ednios de outras pot\u00eancias coloniais europeias. Na Espanha, os crioulos eram chamados de americanos, apesar de insistirem que n\u00e3o possu\u00edam uma gota de sangue abor\u00edgene. No final do per\u00edodo colonial, a discrimina\u00e7\u00e3o a que os crioulos tinham sido sujeitos e a sua tend\u00eancia para tomar o poder pol\u00edtico, que lhes tinha sido negado, levou-os a uma crescente consci\u00eancia de serem &#8220;americanos&#8221;, distintos dos &#8220;peninsulares&#8221;, e a procurarem meios de alcan\u00e7ar um governo aut\u00f3nomo no \u00e2mbito do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; esteve sempre associada a cr\u00edticas, observa\u00e7\u00f5es e refuta\u00e7\u00f5es. H\u00e1 tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis:<\/p>\n<ul>\n<li>Em primeiro lugar, h\u00e1 quem defenda o termo como uma forma de identidade e unidade face \u00e0 &#8220;Am\u00e9rica anglo-sax\u00f3nica&#8221;. Defendem o ponto de vista crioulo, longe da coroa espanhola, livre e independente. Que nasceu da crise de ra\u00e7as e da Independ\u00eancia;<\/li>\n<li>Em segundo lugar, temos os detratores, que defendem que o termo nasceu com a Fran\u00e7a de Napole\u00e3o III e as suas inten\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s antigas col\u00f3nias espanholas e em &#8220;modo de guerra&#8221; contra a pot\u00eancia americana nascente e a sua Doutrina Monroe (1823). Michel Chevalier \u00e9 referido como o criador do conceito de Am\u00e9rica Latina, pois no seu livro &#8220;<strong><em>Des int\u00e9r\u00eats mat\u00e9riels en France<\/em><\/strong>&#8221; sublinha a import\u00e2ncia de criar uma &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; que contraponha o termo &#8220;Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica&#8221;, at\u00e9 ent\u00e3o amplamente aceite e difundido.No entanto, antes de avan\u00e7armos, vale a pena perguntarmo-nos:<br \/>\nSER\u00c1 QUE O CONCEITO DE AM\u00c9RICA LATINA \u00c9 REALMENTE UMA IDEIA FORMADA, FORJADA E DESENVOLVIDA PELOS IDE\u00d3LOGOS IMPERIALISTAS DE NAPOLE\u00c3O III, COM MICHEL CHEVALIER \u00c0 CABE\u00c7A?<\/p>\n<p>Antes de ser um neologismo ou um conceito, a &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; foi uma ideia que evoluiu de fato e ao longo do tempo.<br \/>\nJ\u00e1 em 1836, Michel Chevalier afirmava no seu livro &#8220;<strong><em>Lettres sur l&#8217;Am\u00e9rique du Nord<\/em><\/strong>&#8221; que a &#8220;Civiliza\u00e7\u00e3o&#8221; moderna tem uma dupla raiz, simultaneamente complementar e contradit\u00f3ria: a tradi\u00e7\u00e3o romana e a tradi\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica. Assim, o futuro da sociedade e da &#8220;Civiliza\u00e7\u00e3o&#8221; est\u00e1 de novo em jogo, mas agora num novo espa\u00e7o chamado &#8220;Am\u00e9rica&#8221;, onde as duas tradi\u00e7\u00f5es mencionadas coabitam e se confrontam de novo. Assim, para Chevalier, existem duas &#8220;civiliza\u00e7\u00f5es&#8221; ou culturas complementares mas antag\u00f3nicas no continente americano. Uma era sax\u00f3nica e protestante, laboriosa, branca, apegada e respeitadora das institui\u00e7\u00f5es que estava a criar, mas discriminando e rejeitando tudo o que fosse diferente de si, desprezando outras culturas e com um claro destino manifesto; a outra Am\u00e9rica era latina, cat\u00f3lica, mesti\u00e7a, europeia mas ao mesmo tempo b\u00e1rbara (o Facundo de Sarmiento), sem reconhecimento nem respeito pelas fracas institui\u00e7\u00f5es que estavam a se formar, mas sem medo do outro, e desejosa de o conhecer, confrontar, ensinar e aprender com ele. \u00c9 uma ideia muito rom\u00e2ntica da latinidade contra uma ideia muito pragm\u00e1tica do sax\u00e3o.<\/p>\n<p>Nestes escritos, Chevalier fala das ra\u00edzes &#8220;latinas&#8221; do continente e dos grandes benef\u00edcios que o seu pa\u00eds (a Fran\u00e7a) poderia obter no M\u00e9xico, da\u00ed a ideia de desvincular o passado hispano-americano e de introduzir o conceito de &#8220;latino&#8221; para legitimar a conquista francesa.<br \/>\nNo entanto, nunca utiliza o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; ou similar. Em vez disso, utiliza uma ideia mais antiga, que vem da \u00e9poca colonial.<\/p>\n<p>Desde 1860 e praticamente at\u00e9 aos nossos dias, o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; \u00e9 considerado uma inven\u00e7\u00e3o francesa, criada e promovida pelos ide\u00f3logos imperialistas de Napole\u00e3o III, para justificar o seu interesse em estabelecer um imp\u00e9rio no M\u00e9xico. Com efeito, o termo, enquanto tal, foi antes de mais nada, utilizado por um &#8220;latino-americano&#8221;.<\/p>\n<p>O primeiro autor a juntar as palavras &#8220;Am\u00e9rica&#8221; e &#8220;Latina&#8221; no mesmo termo foi o fil\u00f3sofo e pol\u00edtico chileno FRANCISCO BILBAO, em 22 de Junho de 1856, numa confer\u00eancia em Paris, na qual leu o seu texto &#8220;<em><strong>Iniciativa das Am\u00e9ricas: Ideia de um Congresso Federal das Rep\u00fablicas<\/strong><\/em>&#8220;, e citou:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Eis um perigo. Quem n\u00e3o o v\u00ea, renuncie ao futuro. H\u00e1 t\u00e3o pouca consci\u00eancia de si, t\u00e3o pouca f\u00e9 no destino da ra\u00e7a latino-americana, que esperamos que a vontade dos outros e que um g\u00eanio diferente organize e disponha do nosso destino? &#8220;<\/p><\/blockquote>\n<p>E depois diz:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Mas a Am\u00e9rica vive, a Am\u00e9rica latina, sax\u00f4nica e ind\u00edgena protesta, e toma a si a tarefa de representar a causa do homem, de renovar a f\u00e9 do cora\u00e7\u00e3o, de produzir, em suma, n\u00e3o repeti\u00e7\u00f5es mais ou menos teatrais da idade m\u00e9dia, com a hierarquia servil da nobreza, mas a a\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua do cidad\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de uma justi\u00e7a viva nos campos da Rep\u00fablica.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao lado deste escritor, houve outros autores de origem americana que tamb\u00e9m se debru\u00e7aram sobre a ideia de Am\u00e9rica Latina. Estamos a nos referir ao dominicano Francisco Mu\u00f1oz del Monte e ao colombiano Jos\u00e9 Mar\u00eda Torres Caicedo, este \u00faltimo tamb\u00e9m considerado o primeiro hispano-americano com uma consci\u00eancia hist\u00f3rica do pensamento latino. Isso porque ele usou o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; em 1856. At\u00e9 1855, Torres Caicedo havia utilizado os termos &#8220;Am\u00e9rica espanhola&#8221; ou simplesmente &#8220;Am\u00e9rica&#8221;.<br \/>\nS\u00f3 em 1860 \u00e9 que o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; volta a ser utilizado na Europa.<br \/>\nA aceita\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o do nome Am\u00e9rica Latina ocorreram num contexto hist\u00f3rico em que se sentia a frustra\u00e7\u00e3o causada pelo tratado com o qual o M\u00e9xico perdeu grandes territ\u00f3rios para os Estados Unidos e em que crescia a rejei\u00e7\u00e3o da aventura centro-americana de Walker.<br \/>\nEntendemos que o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; foi utilizado pela primeira vez, alternada e simultaneamente, por Francisco Bilbao e Torres Caicedo em 1856 e n\u00e3o, como o mito quer fazer crer, pelos ide\u00f3logos de Napole\u00e3o III em 1860. \u00c9 verdade que tanto Chevalier como Poucet j\u00e1 tinham utilizado o termo, e de fato h\u00e1 uma reflex\u00e3o profunda sobre ele em ambos os autores, mas s\u00e3o casos isolados e o seu impacto \u00e9 altamente discut\u00edvel.<br \/>\nNo entanto, \u00e9 gra\u00e7as a Napole\u00e3o III que, a partir de 1870, o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; se tornou quase universalmente aceite. A influ\u00eancia francesa na extens\u00e3o e no uso do termo \u00e9, portanto, reconhecida. Mas isso n\u00e3o teria sido poss\u00edvel se os pr\u00f3prios latino-americanos n\u00e3o tivessem sentido a necessidade de se intensificar e de se autodeterminar. O nome &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; difundiu-se muito rapidamente, n\u00e3o s\u00f3 porque preenchia um vazio, mas tamb\u00e9m porque o nome o ligava \u00e0 &#8220;latinidade&#8221;, um paradigma que circulava ent\u00e3o na Fran\u00e7a como express\u00e3o da modernidade e desafio ao predom\u00ednio anglo-sax\u00f4nico.<\/li>\n<li>Finalmente temos a terceira posi\u00e7\u00e3o: que nos diz que &#8220;latino-americano&#8221; n\u00e3o inclui o abor\u00edgene, nem inclui o descendente do escravo africano. Porque nenhum dos dois tem a sua origem na cultura ou na l\u00edngua latina ou europeia. De costas para a realidade mesti\u00e7a, ind\u00edgena e afro, os grupos crioulos dominantes sentiam-se &#8220;latinos&#8221;, ou seja, herdeiros da civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nica e crist\u00e3.<br \/>\nO indigenismo desenvolveu-se a partir da d\u00e9cada de 1920. Come\u00e7ou no M\u00e9xico p\u00f3s-revolucion\u00e1rio e tamb\u00e9m surgiu cedo no Peru, surgindo como um questionamento dos projetos e da identidade nacionais e como um convite \u00e0 a\u00e7\u00e3o empenhada.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O indigenismo surgiu primeiro como um movimento liter\u00e1rio que idealizava o imp\u00e9rio inca&#8230;&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>mais tarde,<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;foi tamb\u00e9m entendido como a constru\u00e7\u00e3o de uma nova identidade nacional cujo centro era a cultura ind\u00edgena de origem pr\u00e9-colombiana que tinha sobrevivido a s\u00e9culos de adversidade&#8221;. (Carlos Contreras e Marcos Cueto, Historia del Per\u00fa contempor\u00e1neo, 2007).<\/p><\/blockquote>\n<p>Pensadores, escritores como Manuel Gonz\u00e1lez Prada, Jos\u00e9 Antonio Encinas e Luis Eduardo Valc\u00e1rcel, Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui, refletem sobre a comunidade ind\u00edgena como a base da sociedade hist\u00f3rica e como o eixo da sociedade do futuro. Os indigenistas sacudiram a identidade da Am\u00e9rica Latina, mas n\u00e3o deram prioridade a uma discuss\u00e3o sobre o seu nome. Outro pensador peruano, por outro lado, abordou a quest\u00e3o ind\u00edgena de um ponto de vista social e pol\u00edtico e prop\u00f4s um nome. V\u00edctor Ra\u00fal Haya de la Torre estabeleceu que o problema do \u00edndio n\u00e3o era racial, mas socioecon\u00f4mico, n\u00e3o por ser racialmente inferior, mas por pertencer a uma classe explorada pelas classes dominantes locais e pelo imperialismo. Esta realidade n\u00e3o \u00e9 apenas do Peru, mas de toda a &#8220;INDOAM\u00c9RICA&#8221; e, para isso, promoveu a A\u00e7\u00e3o Popular Revolucion\u00e1ria Americana (APRA).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES:<\/strong><\/p>\n<p>De fato e na realidade concreta, o conceito de latino, e mais concretamente o termo &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221;, n\u00e3o convinha, e ainda n\u00e3o conv\u00e9m nem convence, a grandes partes do continente, para al\u00e9m do territ\u00f3rio sax\u00e3o, por exemplo, das comunidades ind\u00edgenas que n\u00e3o eram de todo latinas, ou dos territ\u00f3rios franceses que n\u00e3o pareciam pertencer a nenhuma das duas grandes &#8220;Am\u00e9ricas&#8221;, ou ainda de todas as popula\u00e7\u00f5es de origem africana que j\u00e1 viviam no continente desde ent\u00e3o.<br \/>\nA delimita\u00e7\u00e3o exata da regi\u00e3o \u00e9 vari\u00e1vel e pouco clara. Em todos os casos, agrupa pa\u00edses cuja l\u00edngua oficial \u00e9 o espanhol ou o portugu\u00eas. Alguns incluem pa\u00edses franc\u00f3fonos como o Haiti, mas se debate a inclus\u00e3o de Belize (um pa\u00eds angl\u00f3fono, mas com uma forte presen\u00e7a da l\u00edngua e cultura hisp\u00e2nicas), das regi\u00f5es franc\u00f3fonas do Canad\u00e1, dos Estados e possess\u00f5es de l\u00edngua espanhola dos Estados Unidos, especialmente Porto Rico e as Ilhas Virgens Americanas, e dos territ\u00f3rios franceses nas Am\u00e9ricas e no Caribe (Guadalupe, Guiana Francesa, Martinica, S\u00e3o Bartolomeu e S\u00e3o Martinho) tamb\u00e9m \u00e9 debatida.<br \/>\nNa segunda metade do s\u00e9culo XX, o nome Am\u00e9rica Latina foi definitivamente estabelecido. Foi assim que o subcontinente passou a ser conhecido nos pa\u00edses que o constituem e na cena mundial. A partir dos anos 50, com o impulso gerado pelos trabalhos da CEPAL, desenvolveu-se uma tend\u00eancia para a integra\u00e7\u00e3o regional. Esta tend\u00eancia ultrapassou as declara\u00e7\u00f5es de afinidade entre pa\u00edses para propor a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a forma\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o aduaneira e de um mercado comum, seguindo o exemplo do processo de integra\u00e7\u00e3o europeia em curso. Em 1960, v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos assinaram o &#8220;Tratado de Montevid\u00e9u&#8221;, ao qual se juntaram outros. Foi assim criada a Associa\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Com\u00e9rcio Livre (ALAC).<br \/>\nHoje em dia, o nome Am\u00e9rica Latina \u00e9 um patrim\u00f4nio comum e at\u00e9 um recurso de marketing e de expans\u00e3o comercial.<br \/>\nMas para al\u00e9m de todas estas obje\u00e7\u00f5es, cr\u00edticas e controv\u00e9rsias, a verdade \u00e9 que a palavra &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; e &#8220;latino-americano&#8221; preenchem o vazio deixado pelo colonialismo e d\u00e3o forma a uma unidade cultural continental unida pela hist\u00f3ria, pela l\u00edngua, pelos costumes, pela religi\u00e3o e at\u00e9 pela pol\u00edtica.<br \/>\nTalvez &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; n\u00e3o seja o melhor e mais amplo dos termos, talvez n\u00e3o seja t\u00e3o &#8220;inclusivo&#8221; como todos gostariam que fosse. Mas \u00e9, sem d\u00favida, o termo que nos deu unidade e identidade. A partir do termo, fala-se tamb\u00e9m de um &#8220;destino comum&#8221;, de uma necessidade de alian\u00e7a face a um mundo globalizado que ultrapassa todas as fronteiras.<br \/>\nTalvez as palavras &#8220;Am\u00e9rica Latina&#8221; sejam o mais pr\u00f3ximo que temos da ideia de unidade de San Mart\u00edn e Bol\u00edvar.<\/p>\n<p><strong>FONTES:<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Enrique Ayala Mora \u2013 \u201c<strong>El origen del nombre Am\u00e9rica Latina y la tradici\u00f3n cat\u00f3lica del siglo XIX<\/strong>\u201d- (2012) Universidad Andina Sim\u00f3n Bol\u00edvar Quito, Ecuador<br \/>\n&#8211; Rub\u00e9n Torres Mart\u00ednez \u2013 \u201c<strong>Sobre el concepto de Am\u00e9rica Latina \u00bfInvenci\u00f3n francesa?<\/strong>\u201d (2016) Cahiers d\u2019\u00e9tudes romanes<br \/>\n&#8211; Francisco Bilbao Barqu\u00edn &#8211; <strong>Iniciativa de la Am\u00e9rica &#8211; Idea de un Congreso Federal de las Rep\u00fablicas<\/strong> (1856)<br \/>\n&#8211; https:\/\/es.wiktionary.org\/<br \/>\n&#8211; https:\/\/es.wikipedia.org\/<br \/>\n&#8211; https:\/\/www.rae.es\/<\/p>\n<p>Texto original: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=135643942596212&amp;set=a.122578513902755\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Esto es Historia<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A Academia Real Espanhola (RAE) define: LATINOAM\u00c9RICA. 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