{"id":1289,"date":"2023-09-15T18:23:03","date_gmt":"2023-09-15T21:23:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/?p=1289"},"modified":"2023-09-15T18:23:03","modified_gmt":"2023-09-15T21:23:03","slug":"a-nova-visao-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/a-nova-visao-do-universo\/","title":{"rendered":"A nova vis\u00e3o do universo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Por: <strong>LEONARDO BOFF*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">O universo e toda a cria\u00e7\u00e3o constituem um como que espelho no qual Deus mesmo se v\u00ea a si mesmo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o da presen\u00e7a de Deus dentro da moderna vis\u00e3o do mundo (cosmog\u00eanese) surge quando nos interrogamos: o que havia antes do antes e antes do Big-Bang? Quem deu o impulso inicial para a apari\u00e7\u00e3o daquele pontozinho, menor que a cabe\u00e7a de um alfinete que depois explodiu? Quem sustenta o universo como um todo para continuar a existir e a se expandir bem como cada um dos seres nele existentes, o ser humano inclu\u00eddo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">O nada? Mas do nada nunca vem nada. Se apesar disso apareceram seres \u00e9 sinal de que algu\u00e9m ou algo os chamou \u00e0 exist\u00eancia e os sustenta permanentemente. O que podemos sensatamente dizer sem logo formular uma resposta teol\u00f3gica, \u00e9: antes do Big-Bang existia o incognosc\u00edvel e vigorava o mist\u00e9rio. Sobre o mist\u00e9rio e o incognosc\u00edvel, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode dizer literalmente nada. Por sua natureza, o mist\u00e9rio e o incognosc\u00edvel s\u00e3o antes das palavras, antes da energia, da mat\u00e9ria, do espa\u00e7o, do tempo e do pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Ora, ocorre que o mist\u00e9rio e o incognosc\u00edvel s\u00e3o precisamente os nomes pelos quais as religi\u00f5es, tamb\u00e9m o judeu-cristianismo, significam Deus. Deus \u00e9 sempre mist\u00e9rio e incognosc\u00edvel. Diante dele mais vale o sil\u00eancio que a palavra. Apesar disso, Ele pode ser intu\u00eddo pela raz\u00e3o reverente e sentido pelo cora\u00e7\u00e3o inflamado. Seguindo Blaise Pascal diria: crer em Deus n\u00e3o \u00e9 pensar Deus mas senti-lo a partir da totalidade de nosso ser. Ele emerge como uma presen\u00e7a que enche o universo, se mostra como entusiasmo dentro de n\u00f3s (em grego: ter um Deus dentro) e faz surgir em n\u00f3s o sentimento de grandeza, de majestade, de respeito e de venera\u00e7\u00e3o. Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00edpica dos seres humanos. Ela \u00e9 ineg\u00e1vel, pouco importa se algu\u00e9m \u00e9 religioso ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Colocados entre o c\u00e9u e a terra, vendo as mir\u00edades de estrelas, retemos a respira\u00e7\u00e3o e nos enchemos de rever\u00eancia. Naturalmente nos surgem as perguntas: Quem fez tudo isso? Quem se esconde atr\u00e1s da Via-L\u00e1ctea e comanda a expans\u00e3o do universo ainda em curso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Em nossos escrit\u00f3rios refrigerados ou entre quatro paredes brancas de uma sala de aula ou numa roda de conversa solta, podemos dizer qualquer coisa e duvidar de tudo. Mas inseridos na complexidade da natureza e imbu\u00eddos de sua beleza, n\u00e3o podemos calar. \u00c9 imposs\u00edvel desprezar o irromper da aurora, ficar indiferentes diante do desabrochar de uma flor ou n\u00e3o quedar-se pasmados ao contemplar uma crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida. Ela nos convence de que, sempre que nasce uma crian\u00e7a, Deus ainda acredita na humanidade. Quase que espontaneamente dizemos: foi Deus quem colocou tudo em marcha e \u00e9 Deus que tudo sustenta. Ele \u00e9 a fonte origin\u00e1ria e o abismo alimentador de tudo, como dizem alguns cosm\u00f3logos. Eu diria: ele \u00e9 aquele ser que faz ser todos os seres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Outra quest\u00e3o importante vem simultaneamente suscitada: por que exatamente existe este universo e n\u00e3o outro e n\u00f3s somos colocados nele? Que Deus quis expressar com a cria\u00e7\u00e3o? Responder a isso n\u00e3o \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o apenas da consci\u00eancia religiosa, mas da pr\u00f3pria ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Sirva de ilustra\u00e7\u00e3o Stephen Hawking, um dos maiores f\u00edsicos e matem\u00e1ticos, em seu conhecido livro Breve hist\u00f3ria do tempo (1992): \u201cSe encontrarmos a resposta de por que n\u00f3s e o universo existimos, teremos o triunfo definitivo da raz\u00e3o humana; porque, ent\u00e3o, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus\u201d (p. 238). Ocorre que at\u00e9 hoje os cientistas e s\u00e1bios est\u00e3o ainda se interrogando e buscando o des\u00edgnio escondido de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">As religi\u00f5es e o judeu-cristianismo ousaram uma resposta, dando, com rever\u00eancia, um nome ao mist\u00e9rio chamando-o por mil nomes, todos insuficientes: Jav\u00e9, Al\u00e1, Tao, Olorum e principalmente Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">O universo e toda a cria\u00e7\u00e3o constituem um como que espelho no qual Deus mesmo se v\u00ea a si mesmo. S\u00e3o expans\u00e3o de seu amor, pois quis companheiros e companheiras junto de si. Ele n\u00e3o \u00e9 solid\u00e3o, mas comunh\u00e3o dos divinos Tr\u00eas \u2013 Pai, Filho, Esp\u00edrito Santo \u2013 e quer incluir nesta comunh\u00e3o toda natureza e o homem e a mulher, criados \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Dizendo isso, descansa o nosso cansado perguntar mas face ao Minist\u00e9rio de Deus e de todas as coisas, continua o nosso perguntar, sempre aberto a novas respostas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>*Leonardo Boff <\/strong>\u00e9 te\u00f3logo, fil\u00f3sofo e escritor. Autor, entre outros livros, de A nova vis\u00e3o do universo (Vozes).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<br><\/strong>Texto e imagem &#8211;<strong><mark class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/a-nova-visao-do-universo\/?utm_term=2023-05-24\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/a-nova-visao-do-universo\/?utm_term=2023-05-24\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> A Terra \u00e9 Redonda<\/a><\/mark><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: LEONARDO BOFF* O universo e toda a cria\u00e7\u00e3o constituem um como que espelho no qual Deus mesmo se v\u00ea a si mesmo A quest\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":169,"featured_media":1290,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_customify_content_layout":"","_customify_sidebar":"","_customify_page_header_display":"default","_customify_disable_header":"","_customify_disable_header_top":"","_customify_disable_header_main":"","_customify_disable_header_bottom":"","_customify_disable_page_title":"","_customify_disable_content_vertical_padding":"","_customify_disable_footer_top":"","_customify_disable_footer_main":"","_customify_disable_footer_bottom":"","_customify_breadcrumb_display":"","_customify_header_transparent_display":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-1289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo-de-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/users\/169"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1289"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1293,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289\/revisions\/1293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}