{"id":2389,"date":"2024-12-02T10:31:49","date_gmt":"2024-12-02T13:31:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/?p=2389"},"modified":"2024-12-02T10:31:49","modified_gmt":"2024-12-02T13:31:49","slug":"morre-rogerio-cezar-de-cerqueira-leite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/morre-rogerio-cezar-de-cerqueira-leite\/","title":{"rendered":"Morre Rog\u00e9rio Cezar de Cerqueira Leite"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Morreu ontem Rog\u00e9rio Cezar de Cerqueira Leite, em Campinas, aos 93 anos. O engenheiro e f\u00edsico lecionou na Universidade de Paris e era professor em\u00e9rito da Unicamp. Ele era considerado um dos maiores cientistas brasileiros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Um dos f\u00edsicos mais respeitados do Brasil, cientista foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz <em>S\u00edncrotron<\/em> e da Companhia de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico de Campinas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"890\" height=\"367\" src=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2024\/12\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2391\" srcset=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2024\/12\/image.png 890w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2024\/12\/image-300x124.png 300w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2024\/12\/image-768x317.png 768w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><strong>Foto:<\/strong> Centro de Mem\u00f3ria FAPESP<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Rog\u00e9rio Cezar de Cerqueira Leite faleceu hoje (01\/12) em Campinas, aos 93 anos. Um dos f\u00edsicos mais respeitados do Brasil, especialista em semicondutores e lasers, publicou ao longo de sua vida acad\u00eamica cerca de 80 artigos cient\u00edficos em peri\u00f3dicos indexados \u2013 citados mais de 3 mil vezes por seus pares \u2013 e 15 livros sobre temas diversos, relacionados \u00e0 f\u00edsica, energia e m\u00fasica cl\u00e1ssica, incluindo um livro de contos e uma autobiografia. Criou e dirigiu institui\u00e7\u00f5es de pesquisa na vanguarda da ci\u00eancia e liderou iniciativas de promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento tecnol\u00f3gico em \u00e1reas estrat\u00e9gicas. Ao longo de toda a vida, foi um interlocutor cr\u00edtico das pol\u00edticas nacionais de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o e de Educa\u00e7\u00e3o Superior. Foi membro do Conselho Superior da FAPESP entre 1976 e 1982.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cA morte de Cerqueira Leite deixa a ci\u00eancia brasileira menor. Um grande cientista, que atuou como pesquisador e teve grande influ\u00eancia na pesquisa de f\u00edsica da Unicamp e como defensor p\u00fablico da ci\u00eancia, em especial no Conselho Editorial da Folha. Mas sua maior obra, pela qual ser\u00e1 sempre admirado, foi organizar e viabilizar a constru\u00e7\u00e3o do primeiro s\u00edncroton brasileiro, e mais recentemente, foi a grande for\u00e7a por tr\u00e1s da montagem do Sirius, o mais importante instrumento de pesquisa cient\u00edfica do Brasil. Sua resili\u00eancia, tenacidade e clareza de objetivos ser\u00e3o exemplos permanentes para n\u00f3s\u201d, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Cerqueira Leite iniciou a sua carreira acad\u00eamica no Instituto Tecnol\u00f3gico da Aeron\u00e1utica (ITA) em 1953. Sua forma\u00e7\u00e3o foi fortemente marcada pelos modelos de educa\u00e7\u00e3o e de pesquisa associados \u00e0 tecnologia que pautaram as primeiras duas d\u00e9cadas do ITA e refor\u00e7ada no per\u00edodo de oito anos em que permaneceu no Bell Telephone Laboratories (Bell Labs), nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De volta ao Brasil, no in\u00edcio dos anos de 1970, quando se iniciaram programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o vinculados a grandes projetos de P&amp;D, Cerqueira Leite dirigiu o Departamento de F\u00edsica do Estado S\u00f3lido e o Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin (IFWG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), institui\u00e7\u00f5es que contribuiram de forma decisiva para a constitui\u00e7\u00e3o do parque de telecomunica\u00e7\u00e3o e de fibras \u00f3pticas implantado na \u00e9poca pelo governo federal em Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No mesmo per\u00edodo, Cerqueira Leite criou a Companhia de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico de Campinas (Codetec), a primeira incubadora do pa\u00eds, onde foram gestadas ideias e empresas de base tecnol\u00f3gica, al\u00e9m de projetos em parceria com o setor privado. Uma d\u00e9cada depois, articulou a cria\u00e7\u00e3o da Companhia de Desenvolvimento do Polo Tecnol\u00f3gico de Campinas (Ciatec), o primeiro parque tecnol\u00f3gico planejado do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Participou dos debates do Pr\u00f3-\u00c1lcool e foi cr\u00edtico feroz da tecnologia adotada pelo Programa Nuclear Brasileiro durante o governo Geisel, o que inviabilizou sua indica\u00e7\u00e3o para a reitoria da Unicamp no final dos anos 1970. Voltou \u00e0 cena no in\u00edcio dos 1980, como vice-presidente executivo da Companhia Paulista de For\u00e7a e Luz (CPFL) e na lideran\u00e7a do projeto de constru\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas. Defendeu a instala\u00e7\u00e3o dos Laborat\u00f3rios Nacionais de Bioci\u00eancias (LNBio) e de Nanotecnologia (LNNano) no in\u00edcio de 2000 e, no final da d\u00e9cada, articulou a cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) para ampliar as oportunidades econ\u00f4micas de produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel no pa\u00eds. Estas institui\u00e7\u00f5es hoje constituem o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 2017 concebeu a Ilum Escola de Ci\u00eancia, uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior brasileira sem fins lucrativos gerida pelo CNPEM e financiada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o localizada no bairro Fazenda Santa C\u00e2ndida, no munic\u00edpio de Campinas, no estado de S\u00e3o Paulo, inaugurada em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fez breves incurs\u00f5es na pol\u00edtica municipal de Campinas, mas sempre recusou convites para integrar quadros partid\u00e1rios. Preferiu manifestar-se desde a tribuna a que teve acesso desde 1978, a coluna Tend\u00eancias e Debates da Folha de S.Paulo, jornal de cujo Conselho Editorial foi membro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Professor em\u00e9rito da Unicamp, Cerqueira Leite colecionou pr\u00eamios, t\u00edtulos e obras de arte. Era tido como o maior colecionador brasileiro de arte africana e pr\u00e9-colombiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Assista aqui uma das \u00faltimas entrevistas de Cerqueira Leite ao Centro de Mem\u00f3ria da FAPESP em 5 de maio de 2022.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Centro de Mem\u00f3ria FAPESP | Rogerio Cesar de Cerqueira Leite\" width=\"843\" height=\"474\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-ybKHXs1BDw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Trajet\u00f3ria de Pesquisa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Cerqueira Leite nasceu em Santo Anast\u00e1cio em 1931, descendente de uma fam\u00edlia de fortuna arruinada. Filho de uma poetisa e de um advogado, delegado de pol\u00edcia do interior de S\u00e3o Paulo, ele contava ter crescido entre soldados e detentos e adolescido no palacete da av\u00f3, na avenida Ang\u00e9lica, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Do passado aristocr\u00e1tico, herdou o gosto por arte, cinema, m\u00fasica cl\u00e1ssica e, sobretudo, pela \u00f3pera. Na juventude, carregou andor em Rigoletto, de Verdi, e foi o Raio de Sol Nascente em Madame Butterfly, de Puccini, entre outras figura\u00e7\u00f5es, em troca de livre acesso \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es das companhias de \u00f3pera no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo no final da d\u00e9cada de 1940. Consta que chegou a contracenar com a soprano italiana Renata Tebaldi. No intervalo entre temporadas, gostava de uma boa briga e lutava boxe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O ingresso de Cerqueira Leite no ITA, em 1953, foi um desvio de rota. Craque em matem\u00e1tica, preparava-se para o vestibular da Escola Polit\u00e9cnica da USP quando um tio, capit\u00e3o da aeron\u00e1utica, o levou para conhecer o ITA. Descobriu que os alunos recebiam uma bolsa de estudos e uma pequena ajuda de custo do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica. Fez as contas e preteriu a Poli. Foi no ITA que ele conheceu o f\u00edsico S\u00e9rgio Porto, com quem assinaria v\u00e1rios artigos cient\u00edficos, e Aldo Vieira da Rosa, professor em\u00e9rito de Stanford, que viria a ser seu grande amigo e parceiro no projeto Codetec.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1960, j\u00e1 professor assistente no ITA, deixou o Brasil para um doutoramento na Sorbonne, Paris, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Na Fran\u00e7a, Cerqueira Leite instalou-se em Versalhes, cerca de 10 km a sudoeste de Paris. Casado com dona Ruth e j\u00e1 com uma filha, alugou um pequeno apartamento no antigo dep\u00f3sito de feno de uma estrebaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na Sorbonne, teve como orientador Pierre Aigrain, pioneiro da f\u00edsica de estado s\u00f3lido e de estudos com semicondutores. Defendida a tese voltou ao ITA em 1962, pelo per\u00edodo de um semestre: sem recursos para montar um laborat\u00f3rio, aceitou convite para integrar o staff t\u00e9cnico do Bell Labs, mantido ent\u00e3o pela AT&amp;T.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ao longo dos oito anos em que viveu em Berkeley Heights, Nova Jersey, publicou quase 40 artigos cient\u00edficos, muitos dos quais com S\u00e9rgio Porto, e um livro de contos em que resgata mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1970, recusou convite para ocupar o cargo de vice-diretor de uma divis\u00e3o de pesquisa liderada por Kumar Patel, inventor do laser de di\u00f3xido de carbono, e voltou ao Brasil, a convite de Zeferino Vaz, para assumir a dire\u00e7\u00e3o do Departamento de F\u00edsica do Estado S\u00f3lido da Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A volta \u00e0 Unicamp<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A primeira oportunidade de voltar ao Brasil, mais precisamente para aUniversidade de S\u00e3o Paulo (USP), lhe foi oferecida por M\u00e1rio Schenberg, em 1968. As negocia\u00e7\u00f5es abortaram quando Schenberg foi aposentado compulsoriamente pelo AI-5 em 1968. O segundo convite veio de Zeferino Vaz, reitor da Unicamp, dois anos depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Zeferino Vaz concebia uma universidade estreitamente vinculada com as atividades econ\u00f4micas e sociais e o IFGW foi constitu\u00eddo com a miss\u00e3o de desenvolver no pa\u00eds a f\u00edsica aplicada a projetos de desenvolvimento de comunica\u00e7\u00e3o \u00f3ptica e telecomunica\u00e7\u00f5es. Cerqueira Leite assumiu o Departamento de F\u00edsica do Estado S\u00f3lido; Sergio Porto, o Departamento de Eletr\u00f4nica Qu\u00e2ntica; e Jos\u00e9 Ellis Ripper Filho, o Departamento de F\u00edsica Aplicada. Todos era egressos do ITA. Entre 1970 e 1976 o IFGW j\u00e1 tinha recebido um grande volume de recursos do BNDES, Funtec, Badesp, BID e Finep.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O projeto cient\u00edfico inicial do Instituto de F\u00edsica, de desenvolver programas com \u00eanfase no estudo de semicondutores, encontrou correspond\u00eancia na ent\u00e3o emergente pol\u00edtica de telecomunica\u00e7\u00f5es. Em meados da d\u00e9cada de 1970 a Telebr\u00e1s instalou seu centro de P&amp;D ao lado da Unicamp, atraindo ao seu redor empreendimentos de fibra \u00f3ptica. Foi nessa \u00e9poca que Cerqueira Leite criou a Codetec, uma plataforma de intera\u00e7\u00e3o da universidade com o mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A cria\u00e7\u00e3o do LNLS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No final da d\u00e9cada de 1970, Cerqueira Leite habitava \u201cum pa\u00eds chamado ostracismo\u201d, conforme ele dizia, e aceitou o convite de Oct\u00e1vio Frias de Oliveira, dono da Folha de S.Paulo, para editar a p\u00e1gina de Opini\u00e3o do jornal. Foram dois anos de viagens di\u00e1rias entre Campinas e S\u00e3o Paulo at\u00e9 ser surpreendido com a indica\u00e7\u00e3o para o cargo de vice-presidente da Companhia Paulista de For\u00e7a e Luz (CPFL), estatal paulista distribuidora de energia para o interior do Estado. Em cinco anos de gest\u00e3o (1983-1987), transformou a distribuidora numa empresa de energia com a instala\u00e7\u00e3o de um centro de P&amp;D em biomassa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No in\u00edcio dos anos 1980, o Brasil iniciou o projeto de constru\u00e7\u00e3o da primeira fonte brasileira de luz s\u00edncrotron do hemisf\u00e9rio Sul. O empreendimento, or\u00e7ado em US$ 70 milh\u00f5es, era o maior investimento j\u00e1 realizado em um \u00fanico equipamento de pesquisa no pa\u00eds e encontrou forte resist\u00eancia da comunidade cient\u00edfica. Quando as negocia\u00e7\u00f5es chegaram a um impasse, Cylon Gon\u00e7alves da Silva, membro do Conselho Diretor do projeto, procurou apoio de Cerqueira Leite que assumiu a lideran\u00e7a do empreendimento e levou o s\u00edncrotron para Campinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron, inaugurado em 1997, foi concebido como um laborat\u00f3rio de pesquisa aberto \u00e0 comunidade cient\u00edfica e empresarial de todo o pa\u00eds. Em torno do S\u00edncrotron constitu\u00edram-se centros de investiga\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de biotecnologia e nanotecnologia, geridos pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia de Luz S\u00edncrotron (ABTLuS), cujo Conselho de Administra\u00e7\u00e3o era dirigido por Cerqueira Leite. A ABTLuS deu origem ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM https:\/\/cnpem.br\/) que hoje abriga o Sirius https:\/\/lnls.cnpem.br\/sirius\/.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em meados de 2000, por solicita\u00e7\u00e3o do ministro Eduardo Campos, da Ci\u00eancia e Tecnologia, Cerqueira Leite coordenou projeto de avalia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do etanol no Brasil e das perspectivas de expans\u00e3o. Al\u00e9m de identificar gargalos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos, os resultados sugeriam que o pa\u00eds deveria investir no desenvolvimento do etanol celul\u00f3sico, de segunda gera\u00e7\u00e3o, para garantir competitividade no mercado externo. A proposta resultou na cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) que, depois de v\u00e1rias negocia\u00e7\u00f5es com a prefeitura de Campinas, foi constru\u00eddo e instalado no mesmo campus do LNLS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Cerqueira Leite viveu seus \u00faltimos anos rodeado de amigos e de uma cole\u00e7\u00e3o de mais de cinco mil t\u00edtulos de m\u00fasica cl\u00e1ssica e \u00f3peras. Nas horas vagas, com a mesma disposi\u00e7\u00e3o de um pesquisador, estudava a arte de Burkina Faso. Adorava cinema e era o maior colecionador brasileiro de arte africana, acervo formado a mais de 20 anos, al\u00e9m de obras pr\u00e9-colombianas, da Oceania e de muitas pe\u00e7as chinesas e do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:<br>Texto &#8211; <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/17284\/morre-rogerio-cezar-de-cerqueira-leite\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">FAPESP<\/mark><\/a><\/strong>.<br><strong>Imagens &#8211; <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/files\/upload\/17284\/rccl.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">FAPESP<\/mark><\/a> e <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/focusbrasil\/2021\/09\/12\/entrevista-rogerio-cezar-de-cerqueira-leite-ha-um-mal-que-esta-sendo-construido-e-vai-demorar-para-ser-resolvido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo<\/a><\/mark><\/strong>.<br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu ontem Rog\u00e9rio Cezar de Cerqueira Leite, em Campinas, aos 93 anos. 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