{"id":2426,"date":"2025-01-13T14:45:39","date_gmt":"2025-01-13T17:45:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/?p=2426"},"modified":"2025-01-13T14:45:40","modified_gmt":"2025-01-13T17:45:40","slug":"laura-de-mello-e-souza-vence-o-premio-internacional-de-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/laura-de-mello-e-souza-vence-o-premio-internacional-de-historia\/","title":{"rendered":"Laura de Mello e Souza vence o Pr\u00eamio Internacional de Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Historiadora \u00e9 reconhecida pelo alcance da obra, que trouxe novas perspectivas para estudos sobre o Brasil colonial<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ana Paula Orlandi, da Revista Pesquisa FAPESP<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Com influente produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica a respeito sobretudo do Brasil Col\u00f4nia, a historiadora paulista Laura de Mello e Souza acaba de ser contemplada com o Pr\u00eamio Internacional de Hist\u00f3ria, concedido pelo Comit\u00ea Internacional de Ci\u00eancias Hist\u00f3ricas (Cish, na sigla em franc\u00eas). A premia\u00e7\u00e3o leva em conta a qualidade da obra, a contribui\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o da pesquisa hist\u00f3rica, al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do ensino e forma\u00e7\u00e3o de quadros. \u201cDo ponto de vista pessoal, al\u00e9m da surpresa, o pr\u00eamio \u00e9 uma grande honra. Mas gostaria de frisar a import\u00e2ncia dele para a comunidade de historiadores brasileiros, que \u00e9 numerosa e competente, e tem sua visibilidade refor\u00e7ada por um fato como esse\u201d, declarou Mello e Souza a Pesquisa FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Entre 2014 e 2022, a historiadora foi professora da c\u00e1tedra de Hist\u00f3ria do Brasil na Universidade Sorbonne, em Paris. Ao longo da carreira, tamb\u00e9m passou como professora visitante, por exemplo, pela Universidade do Texas (EUA), Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e Universidade Nacional do M\u00e9xico. Por\u00e9m sua trajet\u00f3ria se desenvolveu fundamentalmente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FFLCH-USP). Na institui\u00e7\u00e3o paulista, onde ingressou como aluna na d\u00e9cada de 1970, cursou gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Em 1983, se tornou docente e, entre outras fun\u00e7\u00f5es, foi chefe do Departamento de Hist\u00f3ria (1999-2001) e vice-coordenadora do Programa de Hist\u00f3ria Social (2002-2004), tendo se aposentado em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Pr\u00eamio Internacional de Hist\u00f3ria foi criado em 2015 e desde ent\u00e3o agraciou tr\u00eas historiadores: o franc\u00eas Serge Gruzinski, da \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes em Sciences Sociales e do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em 2015; o h\u00fangaro G\u00e1bor Klaniczay, da Central European University, de Budapeste, em 2016; e o indiano Sanjay Subrahmanyam, da Universidade da Calif\u00f3rnia (EUA) e do Coll\u00e8ge de France, em 2022. \u201cAgora, pela primeira vez, o pr\u00eamio veio para uma mulher e para a Am\u00e9rica Latina\u201d, comemora a historiadora Rita de C\u00e1ssia Marques, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atual vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria (Anpuh).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De acordo com a historiadora Ana Paula Torres Megiani, do Departamento de Hist\u00f3ria da FFLCH-USP, a contribui\u00e7\u00e3o de Mello e Souza ao campo da hist\u00f3ria \u00e9 vasta e j\u00e1 se inicia na pesquisa de mestrado, defendida em 1980, sob orienta\u00e7\u00e3o do historiador Fernando Novais. A disserta\u00e7\u00e3o foi publicada com o t\u00edtulo Desclassificados do ouro: A pobreza mineira no s\u00e9culo XVIII (Editora Graal,1983), obra que ganhou v\u00e1rias reedi\u00e7\u00f5es no Brasil e saiu tamb\u00e9m na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cEla estudou uma camada da sociedade sobre a qual n\u00e3o se prestava aten\u00e7\u00e3o: os indiv\u00edduos livres que n\u00e3o tiveram acesso \u00e0s riquezas durante o ciclo do ouro em Minas Gerais\u201d, explica Megiani, uma das organizadoras da colet\u00e2nea Tra\u00e7os. Da obra de Laura de Mello e Souza (Editora Ouro sobre Azul, 2021). Marques acrescenta: \u201c\u00c9 uma pesquisa que derrubou a cren\u00e7a em voga na historiografia brasileira da \u00e9poca de que a sociedade mineradora era mais democr\u00e1tica, oferecia maior mobilidade social, do que a sociedade a\u00e7ucareira. Ao se embrenhar pelas tessituras das hierarquias sociais, a autora mostrou que ali tamb\u00e9m havia opressores e oprimidos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Outras obras significativas de Mello e Souza, segundo as entrevistadas, s\u00e3o O diabo e a terra de Santa Cruz (Companhia das Letras, 1986), Feiti\u00e7aria na Europa moderna (\u00c1tica, 1987) e Inferno atl\u00e2ntico (Companhia das Letras, 1993). Os tr\u00eas livros abordam a quest\u00e3o da religiosidade popular e tra\u00e7am conex\u00f5es entre o que acontecia na Col\u00f4nia e no continente europeu. J\u00e1 em O sol e a sombra (Companhia das Letras, 2006), a historiadora analisou a administra\u00e7\u00e3o portuguesa no Brasil do s\u00e9culo XVIII. Mais tarde, escreveu o perfil do poeta Claudio Manuel da Costa (1729-1789), ligado \u00e0 Inconfid\u00eancia Mineira, a partir de pesquisas em invent\u00e1rios, escrituras e processos judiciais. O livro Claudio Manuel da Costa \u2013 O letrado dividido saiu em 2011, pela Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O nome de Mello e Souza foi aprovado pelo conselho diretivo do Cish, composto por 12 membros de diferentes pa\u00edses, como Estados Unidos, Jap\u00e3o, Fran\u00e7a e It\u00e1lia. \u201cA meta do pr\u00eamio \u00e9 homenagear um historiador com obra original e singular, que tenha tr\u00e2nsito internacional e capacidade de abrir di\u00e1logos com seus pares\u201d, explica a historiadora Eliana de Freitas Dutra, da UFMG, que atualmente ocupa uma das vice-presid\u00eancias do Cish. De acordo com Dutra, esse \u00e9 o caso da obra de Mello e Souza, cuja produ\u00e7\u00e3o se vincula ao estudo das chamadas din\u00e2micas globalizadas do mundo moderno. \u201cAl\u00e9m de estabelecer conex\u00f5es historiogr\u00e1ficas entre Brasil, Europa e \u00c1frica, ela trabalha com v\u00e1rias \u00e1reas da hist\u00f3ria, como econ\u00f4mica, liter\u00e1ria e social. N\u00e3o por acaso, tem estudos traduzidos em franc\u00eas, ingl\u00eas e espanhol\u201d, enumera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Se a premia\u00e7\u00e3o \u00e9 recente, o mesmo n\u00e3o se pode dizer do Cish: a entidade foi fundada em 1926, na Su\u00ed\u00e7a. \u201cSua cria\u00e7\u00e3o acontece no contexto p\u00f3s-Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de incentivar o di\u00e1logo entre os povos e reunir a comunidade internacional de historiadores\u201d, conta a historiadora Gabriela Pellegrino Soares, da FFLCH-USP e membro da Coordena\u00e7\u00e3o de \u00c1rea da Diretoria Cient\u00edfica da FAPESP. Hoje, o Cish congrega por volta de 55 associa\u00e7\u00f5es nacionais de hist\u00f3ria, como \u00e9 o caso da brasileira Anpuh, e 27 organiza\u00e7\u00f5es de pesquisa, a exemplo da Comiss\u00e3o Internacional de Demografia Hist\u00f3rica. \u201cA ideia \u00e9 n\u00e3o apenas promover a ci\u00eancia hist\u00f3rica por meio da coopera\u00e7\u00e3o entre os diferentes pa\u00edses, mas tamb\u00e9m discutir quest\u00f5es sobre ensino, \u00e9tica profissional e desafios contempor\u00e2neos do nosso campo de pesquisa\u201d, completa Dutra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Com esse intuito, a cada cinco anos o Cish realiza um congresso mundial. O \u00faltimo deles ocorreu em 2022, na Pol\u00f4nia. J\u00e1 a cerim\u00f4nia de entrega da quarta edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Internacional de Hist\u00f3ria deve acontecer durante a assembleia geral da entidade, prevista para outubro, no Jap\u00e3o. \u201cClaro que \u00e9 preciso dedica\u00e7\u00e3o pessoal para receber uma honra como a que me concederam, sobretudo sendo mulher e tendo vida familiar\u201d, comenta Mello e Souza. \u201cMas em meu campo de estudo e sobre a \u00e9poca que escolhi estudar, do s\u00e9culo XVI ao come\u00e7o do XIX, o trabalho \u00e9 obrigatoriamente lento, a documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 em grande parte manuscrita e nem sempre f\u00e1cil de ler. Isso significa que sem apoio institucional, a exemplo das bolsas que recebi de institui\u00e7\u00f5es como FAPESP e CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico], os \u00eaxitos se tornam bem mais remotos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Embora aposentada, Mello e Souza continua vinculada \u00e0 Sorbonne e \u00e0 FFLCH-USP, onde orienta pesquisas de doutorado. Em 2023, voltou a morar no Brasil, ap\u00f3s passar oito anos na Fran\u00e7a, e lan\u00e7ou o livro O jardim das hesp\u00e9rides \u2013 Minas e as vis\u00f5es do mundo natural no s\u00e9culo XVIII (Companhia das Letras). No momento, escreve um estudo sobre as migra\u00e7\u00f5es de tr\u00eas cortes europeias (Portugal, Sardenha e N\u00e1poles) durante o per\u00edodo de expans\u00e3o napole\u00f4nica, no s\u00e9culo XIX. \u201c\u00c9 uma pesquisa que comecei h\u00e1 22 anos e me d\u00e1 um trabalho danado, mas pretendo conclu\u00ed-la em breve\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A edi\u00e7\u00e3o impressa de fevereiro traz uma vers\u00e3o resumida desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND.<br><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/laura-de-mello-e-souza-vence-o-premio-internacional-de-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia o original aqui<\/a><\/mark><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Imagem &#8211; <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/RPF-nota-laura-2024-01-800.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nina Jacobi<\/a><\/mark><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiadora \u00e9 reconhecida pelo alcance da obra, que trouxe novas perspectivas para estudos sobre o Brasil colonial Ana Paula Orlandi, da Revista Pesquisa FAPESP Com&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":169,"featured_media":2427,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,7],"tags":[],"class_list":["post-2426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/users\/169"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2426"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2428,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2426\/revisions\/2428"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}