{"id":2895,"date":"2026-04-27T21:43:38","date_gmt":"2026-04-28T00:43:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/?p=2895"},"modified":"2026-04-27T21:49:22","modified_gmt":"2026-04-28T00:49:22","slug":"montanhas-no-centro-do-debate-producao-do-lehg-dialoga-com-discussoes-recentes-na-geomorfologia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/montanhas-no-centro-do-debate-producao-do-lehg-dialoga-com-discussoes-recentes-na-geomorfologia-brasileira\/","title":{"rendered":"Montanhas no Centro do Debate: Produ\u00e7\u00e3o do LEHG dialoga com discuss\u00f5es recentes na geomorfologia brasileira."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">No mesmo m\u00eas em que a revista Pesquisa Fapesp destacou o debate sobre a classifica\u00e7\u00e3o das montanhas no Brasil, pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Epistemologia e Hist\u00f3ria da Geografia (LEHG) publicaram um cap\u00edtulo dedicado a refletir sobre o papel desses sistemas na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento geomorfol\u00f3gico. Inseridas em contextos distintos, as duas produ\u00e7\u00f5es convergem ao evidenciar a centralidade das montanhas nas discuss\u00f5es cient\u00edficas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-25\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/editora-da-uern-lanca-a-colecao-geomorfologia-do-brasil-que-conta-com-pesquisadores-do-lehg-como-autores-de-capitulo-de-um-dos-volumes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baixe o livro gratuitamente<\/a><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-25\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/folheie-ou-baixe-a-edicao-362\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No in\u00edcio de abril deste ano, a Editora da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte lan\u00e7ou a Cole\u00e7\u00e3o Geomorfologia do Brasil, como resultado da sistematiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos apresentados no XV Simp\u00f3sio Nacional de Geomorfologia (SINAGEO). A cole\u00e7\u00e3o conta com 14 volumes que representam um grande avan\u00e7o nas discuss\u00f5es sobre o relevo no Brasil. Em um desses volumes, h\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Epistemologia e Hist\u00f3ria da Geografia (LEHG), dentro do eixo de ensino de geomorfologia. O cap\u00edtulo \u201cUm resgate hist\u00f3rico do sistema montanhoso como laborat\u00f3rio geomorfol\u00f3gico: uma contribui\u00e7\u00e3o ao ensino da geomorfologia\u201d, elaborado pelo coordenador do laborat\u00f3rio, Prof. Dr. Ant\u00f4nio Carlos Vitte, e pelos pesquisadores Paulo Rufino e Andreia Mendon\u00e7a Zambanini, tem como centralidade a reflex\u00e3o sobre o papel das montanhas na constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da geomorfologia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2026\/04\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2903\" style=\"width:724px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2026\/04\/image-2.png 724w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2026\/04\/image-2-212x300.png 212w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><em>Figura 1 \u2013 Capa do Volume XIV da cole\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nesse mesmo m\u00eas, a revista Pesquisa Fapesp, em sua edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 362, trouxe como t\u00edtulo principal: \u201cO Brasil nas Alturas: picos pontiagudos e com mais de 300 metros s\u00e3o agora classificados oficialmente como montanhas\u201d. A mat\u00e9ria intitulada \u201cPerto das Nuvens\u201d, escrita por Carlos Fioravanti, apresenta coment\u00e1rios de pesquisadores como Ros\u00e2ngela Botelho (IBGE), Celso Dal R\u00e9 Carneiro (UNICAMP) e Rafaela Campostrini (JBRJ) sobre a proposta de mudan\u00e7a na classifica\u00e7\u00e3o geomorfol\u00f3gica no Brasil. De acordo com a mat\u00e9ria, tais mudan\u00e7as s\u00e3o resultados diretos de questionamentos feitos durante o XVII Simp\u00f3sio de Geografia F\u00edsica Aplicada, ocorrido em Fortaleza (CE). A partir das discuss\u00f5es realizadas durante o evento, pesquisadores de diversas universidades do Brasil, junto ao IBGE e ao Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, uniram esfor\u00e7os para propor uma nova classifica\u00e7\u00e3o, que inclui a exist\u00eancia de montanhas no pa\u00eds, de acordo com crit\u00e9rios estabelecidos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"721\" height=\"951\" src=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2026\/04\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2904\" srcset=\"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2026\/04\/image-3.png 721w, https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2026\/04\/image-3-227x300.png 227w\" sizes=\"(max-width: 721px) 100vw, 721px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><em>Figura 2 \u2013 Capa da Revista Pesquisa Fapesp N 362<\/em><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tanto o cap\u00edtulo mencionado quanto a mat\u00e9ria da revista, em s\u00edntese, reconhecem as montanhas como elemento indispens\u00e1vel para a an\u00e1lise da natureza e da sociedade no Brasil e no mundo. O texto desenvolvido pelos integrantes do LEHG apresenta uma perspectiva hist\u00f3rica sobre o entendimento dos sistemas montanhosos. Por muito tempo, as montanhas ocuparam apenas uma posi\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o. Para os eremitas dos s\u00e9culos VI e VII, simbolizavam o lugar do sagrado; j\u00e1 para artistas como Goethe e Vincent Van Gogh, em sua grandiosidade, apontavam para a pequenez da pr\u00f3pria exist\u00eancia humana. Apenas ap\u00f3s o s\u00e9culo XVII, as montanhas passam a ser abordadas sob uma perspectiva t\u00e9cnica e cient\u00edfica, inicialmente como objeto da cartografia para representar fronteiras pol\u00edticas e, posteriormente, tornando-se centrais nas an\u00e1lises ambientais sob o olhar dos naturalistas do s\u00e9culo XVIII.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">J\u00e1 a mat\u00e9ria publicada pela revista Fapesp apresenta perspectivas t\u00e9cnicas sobre o entendimento das montanhas no Brasil, abordando desde a origem dessas forma\u00e7\u00f5es at\u00e9 os crit\u00e9rios que delimitam sua an\u00e1lise. Segundo o relato de Celso Dal R\u00e9 Carneiro, no Brasil de mais de 400 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s havia montanhas t\u00e3o altas quanto os Andes e o pr\u00f3prio Himalaia; entretanto, por serem forma\u00e7\u00f5es muito mais antigas, sofreram intensos processos de eros\u00e3o e movimentos de grandes blocos da crosta terrestre, resultando em relevos com altitudes inferiores a 3.000 metros. O pesquisador acrescenta que, no Brasil, as hip\u00f3teses mais aceitas sobre a origem das montanhas dizem respeito a resqu\u00edcios de cadeias montanhosas resultantes da converg\u00eancia de \u201cplacas antigas\u201d ou ao soerguimento da litosfera provocado por for\u00e7as que atuam no manto terrestre.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dessa maneira, os pesquisadores envolvidos no projeto n\u00e3o se basearam apenas na altura como crit\u00e9rio principal de classifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na forma. Carlos Fioravanti aponta como exemplo mais claro o Monte Roraima, que, mesmo tendo 2.810 metros de altitude, n\u00e3o p\u00f4de ser classificado como montanha devido ao seu topo achatado. A mat\u00e9ria ainda destaca que morros isolados, como o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e o Pico do Cabugi, tamb\u00e9m n\u00e3o foram classificados como montanhas. Diante da nova classifica\u00e7\u00e3o, foram registrados 14 estados no Brasil com ocorr\u00eancia de montanhas. A mat\u00e9ria destaca ainda que, no final de maio, em comemora\u00e7\u00e3o aos 90 anos de funda\u00e7\u00e3o do IBGE, o instituto provavelmente lan\u00e7ar\u00e1 um mapa geomorfol\u00f3gico do Brasil atualizado, com base na nova classifica\u00e7\u00e3o que inclui a presen\u00e7a de montanhas.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para Botelho (2026), a inclus\u00e3o das montanhas na classifica\u00e7\u00e3o geomorfol\u00f3gica do Brasil vai al\u00e9m do m\u00e9todo em si, pois implica transforma\u00e7\u00f5es substanciais na economia, na sociedade e na preserva\u00e7\u00e3o da natureza. Reconhecer essas forma\u00e7\u00f5es tem impacto direto no fomento ao turismo nacional, e quest\u00f5es ligadas ao controle de riscos tornam-se mais efetivas, devido \u00e0 maior propens\u00e3o a movimentos gravitacionais de massa em \u00e1reas montanhosas. Al\u00e9m disso, na mat\u00e9ria em quest\u00e3o, Botelho e Martinelli (2026) afirmam que esses sistemas montanhosos s\u00e3o essenciais para a preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e para o regime h\u00eddrico das regi\u00f5es onde ocorrem.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nesse sentido, tanto a mat\u00e9ria publicada pela revista Fapesp quanto o cap\u00edtulo de livro publicado pela EDUERN concordam em afirmar que as montanhas desempenham um papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. Como principal defini\u00e7\u00e3o de montanha, os autores do cap\u00edtulo discutido apresentam as ideias de Thorne e Goudie (2016), que definem montanha como \u201cuma eleva\u00e7\u00e3o substancial da crosta terrestre em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do mar, capaz de promover altera\u00e7\u00f5es no clima local ou regional, na drenagem, nos solos, nas plantas e nos animais\u201d. Tal defini\u00e7\u00e3o contribui para compreender a import\u00e2ncia das montanhas na diversidade de esp\u00e9cies de plantas e animais, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies j\u00e1 extintas.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Vitte, Rufino e Zambanini (2026) destacam a import\u00e2ncia dos estudos desenvolvidos no s\u00e9culo XVIII por Alexander von Humboldt. Segundo os autores, Humboldt, ao tomar o Monte Chimborazo como objeto de observa\u00e7\u00e3o, descreveu um gradiente de eleva\u00e7\u00e3o acentuado, no qual a diversidade de zonas de vida, ao longo de cerca de 5 km de altitude, corresponderia, em outro contexto, a dist\u00e2ncias de milhares de quil\u00f4metros. Essa diversidade ainda pode ser observada atualmente, inclusive no Brasil. Em relato \u00e0 revista Fapesp, Gustavo Martinelli afirma ter encontrado, em explora\u00e7\u00f5es pelas montanhas do Rio de Janeiro, touceiras de bambu cuja esp\u00e9cie \u00e9 considerada a mais rara do mundo: \u201cGlaziophyton mirabile\u201d. O pesquisador afirma que, h\u00e1 mais de 50 anos, vem descobrindo novas esp\u00e9cies desde que come\u00e7ou a explorar as montanhas do Rio de Janeiro.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Fontes de textos e imagens: portal <a href=\"https:\/\/portal.uern.br\/eduern\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UERN<\/a> e <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/folheie-ou-baixe-a-edicao-362\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fapesp<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mesmo m\u00eas em que a revista Pesquisa Fapesp destacou o debate sobre a classifica\u00e7\u00e3o das montanhas no Brasil, pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Epistemologia e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":169,"featured_media":2898,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/users\/169"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2895"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2895\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2907,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2895\/revisions\/2907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ige.unicamp.br\/lehg\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}